Plano do investidor bilionário prevê a fusão da maior gravadora do mundo com seu veículo de investimento e a transferência das ações para a Bolsa de Valores de Nova York.
O investidor ativista bilionário Bill Ackman fez uma nova investida para assumir o controle da Universal Music Group (UMG), a maior gravadora do mundo, com uma proposta que avalia a companhia em cerca de US$ 60 bilhões. A empresa é a casa de alguns dos maiores artistas da história e da atualidade, como Taylor Swift, The Beatles, Elton John, Bob Dylan e Billie Eilish, dominando mais de 30% do mercado global de música gravada.
Atualmente, a gestora de Ackman, a Pershing Square Capital Management, já controla mais de 4,5% das ações da gravadora. A nova engenharia financeira do magnata planeja fundir a Universal Music com a Pershing Square SPARC Holdings, um veículo de aquisição criado especificamente para a operação.
Caso o negócio avance, a listagem principal da gravadora deixará a bolsa de Amsterdã (Euronext) para integrar a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), com a sede da nova empresa sendo transferida para o estado de Nevada, nos Estados Unidos.

Os detalhes da operação
A proposta de Ackman avalia as ações da Universal Music em € 30,40 (cerca de US$ 35,15), o que poderia levar a transação a ultrapassar os US$ 63 bilhões. A operação é flexível para os atuais acionistas, que poderão escolher entre receber seu pagamento totalmente em dinheiro, em ações da nova empresa ou em uma combinação de ambos. Em certos cenários, o pagamento em dinheiro pode chegar a € 22 por ação.
O plano financeiro envolve também o cancelamento de cerca de 17% das ações da companhia (reduzindo o valor patrimonial pós-pagamentos para cerca de US$ 58 bilhões), a captação de US$ 5,8 bilhões em novas dívidas e a venda da atual participação da UMG no Spotify, estimada em aproximadamente US$ 1,6 bilhão. Segundo Ackman, as ações da gravadora hoje são prejudicadas por fatores alheios ao seu forte desempenho operacional, problemas que a fusão se propõe a resolver.
Uma longa história com a gravadora
Esta não é a primeira vez que Ackman mira a UMG. Em 2021, ele tentou adquirir uma participação usando um SPAC (veículo de propósito específico de aquisição), mas esbarrou em resistências regulatórias. Como alternativa, ele acabou comprando cerca de 10% da companhia através do seu hedge fund, integrou o conselho de administração e deixou o cargo em 2025.
Desta vez, a operação está sendo estruturada através de um SPARC. Diferente dos SPACs tradicionais, onde o investidor coloca dinheiro sem saber qual empresa será comprada, o modelo SPARC (aprovado pela SEC americana em 2023) permite que os investidores decidam entrar no negócio após a empresa-alvo já estar definida e estruturada, reduzindo o risco da operação.
Desafios para aprovação
Apesar de as ações da Universal Music terem saltado cerca de 13% após o anúncio (chegando perto de US$ 21), elas continuam operando bem abaixo do prêmio prometido por Ackman. O valor de mercado atual da empresa orbita na casa dos US$ 38 bilhões.
O maior obstáculo para a conclusão do negócio — prevista para o final deste ano, caso avance — é a aprovação interna. A proposta exige o sinal verde de dois terços dos acionistas, colocando a decisão final nas mãos dos maiores pesos-pesados da empresa: o bilionário francês Vincent Bolloré, o grupo Vivendi e a gigante de tecnologia Tencent.
Se conseguir o apoio necessário, Ackman também planeja reestruturar a governança corporativa, montando um novo conselho de administração que incluiria nomes de destaque como Michael Ovitz, ex-presidente da The Walt Disney Company. Resta saber se os grandes sócios estarão dispostos a passar a batuta para o bilionário de Wall Street.
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