Primeiro evento liderado pelo novo CEO, John Ternus, revela a maior mudança de design desde 2017 e reforça a aposta da companhia no segmento premium de smartphones.

As ações da Apple fecharam em leve baixa de 0,27% na Nasdaq nesta quarta-feira (9). O recuo ocorreu no mesmo dia em que a gigante de tecnologia apresentou ao mundo sua mais nova aposta para o mercado de telecomunicações: o aguardado “iPhone Duo”, o primeiro smartphone dobrável da marca. Apesar da reação inicial mais contida por parte dos investidores em Wall Street, a companhia segue isolada como a empresa mais valiosa do globo, mantendo seu valor de mercado na impressionante casa dos US$ 4,6 trilhões.

Uma nova era na liderança da empresa

O evento de lançamento desta quarta-feira carregou um peso histórico por ser a primeira grande apresentação pública sob a batuta de John Ternus. O executivo assumiu oficialmente o posto de diretor-executivo (CEO) no dia 1º de setembro deste ano, encerrando o longevo ciclo de 15 anos de Tim Cook. Para fins de contexto, Cook liderava a Maçã desde agosto de 2011, quando sucedeu o lendário fundador Steve Jobs poucos meses antes de seu falecimento.

A chegada do iPhone Duo e a prioridade ao mercado ‘premium’

O grande destaque do anúncio, o “iPhone Duo”, representa a alteração visual e estrutural mais profunda na linha de smartphones da Apple desde 2017, ano em que o iPhone X inaugurou uma tela maior e extinguiu o tradicional botão “home”. Com o modelo dobrável, a empresa ingressa, ainda que de forma tardia, em um segmento que foi aberto pela fabricante chinesa Royole em 2018, mas que ganhou verdadeira tração com os lançamentos da concorrente Samsung (com a linha Galaxy Fold), além de apostas do Google e da Huawei.

Além do aparelho flexível, a Apple atualizou sua linha tradicional, revelando os novos iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max. Em um movimento que evidencia o foco na alta rentabilidade, a fabricante optou por não apresentar os modelos de entrada neste evento — como a versão básica do iPhone 18 e o modelo “Air” —, deixando-os para um momento futuro. A estratégia premium fica clara nos valores: o modelo 18 Pro, por exemplo, chegará às prateleiras custando a partir de US$ 1.199.

Projeções de faturamento e expectativas dos analistas

Mesmo com a retração pontual nos papéis, as estimativas financeiras para a companhia seguem robustas. Dados da consultoria S&P Global Visible Alpha apontam que a Apple deve alcançar uma receita de US$ 55,5 bilhões apenas com as vendas de iPhones no quarto trimestre deste ano. Para o próximo ano, a projeção salta para impressionantes US$ 274,2 bilhões, sugerindo que o mercado já dá como certa uma onda massiva de atualização de aparelhos por parte dos consumidores.

Segundo Matt Britzman, analista sênior de ações da Hargreaves Lansdown, a estratégia de manter os preços elevados deve impulsionar tanto a receita bruta quanto as margens de lucro da big tech. O especialista pontua ainda que a introdução de um formato genuinamente inédito para a marca tem grande potencial para convencer clientes mais antigos, que vinham adiando a troca de seus celulares, a finalmente abrirem a carteira.

A grande questão que permanece no radar de Wall Street, no entanto, é monitorar como a balança entre oferta e demanda irá se estabilizar assim que a euforia e a curiosidade inicial em torno do lançamento se dissiparem.

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