A Argentina avalia recorrer à China para financiar uma dívida de US$ 5 bilhões prevista para 2027, segundo o ministro da Economia, Luis Caputo.

O país enfrenta dificuldades para refinanciar títulos locais em dólar e busca alternativas diante da incerteza política e do aumento do risco soberano.  (Informações confirmadas pela Bloomberg e InvestNews, publicadas em 14 de outubro de 2026.)

O ministro da Economia argentino, Luis Caputo, afirmou que o governo poderá usar a linha de swap cambial com a China para reforçar as reservas internacionais caso não consiga refinanciar os títulos Bonares, emitidos em dólares sob legislação local. O anúncio foi feito durante reuniões com investidores organizadas pelo JPMorgan Chase, à margem dos encontros do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc.

Contexto da dívida

  • Em julho, o governo de Javier Milei anunciou a emissão de US$ 5 bilhões em títulos para 2027, parte de um pacote de US$ 25 bilhões.
  • As emissões foram suspensas em agosto, devido aos altos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA.
  • A falta de acesso aos mercados internacionais e a incerteza sobre a reeleição de Milei aumentaram o risco soberano argentino para 600 pontos-base, ante 410 em julho.

Acordo com a China

A Argentina mantém uma linha de swap de US$ 19 bilhões com o Banco Central da China, renovada por mais cinco anos.

  • US$ 5 bilhões já foram ativados — valor equivalente ao montante dos títulos Bonares.
  • O mecanismo permite troca de moedas entre bancos centrais, fornecendo liquidez em yuan para reforçar as reservas.
  • Caputo disse que o swap poderia ser usado “na eventualidade de não ser possível refinanciar os Bonares”.

Alternativas e apoio internacional

Além da China, o ministro mencionou uma linha de swap de US$ 20 bilhões com os Estados Unidos, voltada a conter a volatilidade dos mercados antes das eleições. Caputo também se reuniu com Kristalina Georgieva (FMI) e Ajay Banga (Banco Mundial), que elogiaram as políticas econômicas argentinas e estudam ampliar recursos para o país.

Impactos econômicos e políticos

  • O uso do swap com a China pode evitar uma crise de reservas e dar fôlego ao governo Milei em ano eleitoral.
  • Por outro lado, reforça a dependência financeira de Pequim, ampliando a influência chinesa na América do Sul.
  • Analistas apontam que o movimento pode afastar investidores ocidentais e dificultar o retorno aos mercados internacionais.

Perspectivas para 2027

A Argentina busca equilibrar sua política externa entre Washington e Pequim, enquanto tenta estabilizar a economia e reduzir o risco de default. O sucesso do plano dependerá da confiança dos investidores e da gestão das reservas internacionais nos próximos meses.

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