Movimento estratégico bilionário impulsiona a rede de satélites da gigante de tecnologia, focando na conexão direta com dispositivos móveis e esquentando a corrida contra a empresa de Elon Musk.

A Amazon anunciou um marco decisivo em sua estratégia aeroespacial com a aquisição da operadora de satélites Globalstar. O negócio, estimado entre US$ 10,8 bilhões e US$ 11,6 bilhões, tem como foco fortalecer a infraestrutura de internet da companhia e posicioná-la para competir diretamente com a Starlink, da SpaceX.

Segundo os termos da negociação, a Amazon oferecerá aos acionistas da Globalstar US$ 90 por ação em dinheiro ou o equivalente a cerca de 0,32 de ação da Amazon (limitado também a US$ 90 por papel). A oferta representa um robusto prêmio de aproximadamente 117% sobre o valor das ações da Globalstar antes de surgirem os primeiros rumores de venda. A previsão é que a transação seja concluída até o ano de 2027.

O Projeto Leo e a Conectividade “Direct-to-Device”

A aquisição reflete o momento de ebulição na corrida do setor de satélites. As empresas buscam intensamente soluções tecnológicas de conectividade direta (D2D — Direct-to-Device), permitindo que smartphones e aviões se conectem à internet via espaço sem depender de torres terrestres de transmissão.

Na Amazon, a divisão responsável pela internet via satélite é o chamado Projeto Leo. A companhia planeja lançar seu próprio serviço de conexão direta a partir de 2028. Atualmente, a rede Leo corre contra o tempo para escalar: possui algumas centenas de satélites em órbita, enquanto a Starlink já domina o mercado operando com cerca de 9 mil.

Para Armand Musey, presidente da consultoria Summit Ridge Group, o negócio muda o panorama da competição. “A aquisição da Globalstar permite à Amazon recuperar terreno no mercado de banda larga via satélite”, afirma o especialista. Um grande diferencial da compra são os direitos globais de espectro pertencentes à Globalstar, ativos que se tornaram altamente cobiçados no mercado.

Impacto e Fortalecimento da Parceria com a Apple

Outro ponto central da aquisição é a relação comercial com a Apple. Hoje, a infraestrutura da Globalstar já é a espinha dorsal que permite aos usuários de iPhones mais recentes enviar mensagens aos serviços de emergência e compartilhar localização em áreas sem cobertura de celular tradicional.

A Amazon confirmou que a infraestrutura desse serviço de emergência da Apple migrará para a futura rede Leo. Além disso, Amazon e Apple indicaram que trabalharão de forma conjunta no desenvolvimento de novas soluções via satélite voltadas para as próximas gerações do iPhone e do Apple Watch.

A Guerra do Wi-Fi na Aviação Comercial e o Futuro

A disputa pelo espaço sideral atrai investimentos na casa dos bilhões e trilhões. A SpaceX de Elon Musk, sustentada pela própria frota de foguetes, foi avaliada recentemente em US$ 1,25 trilhão e prepara uma potencial oferta pública inicial (IPO) que pode entrar para a história.

Enquanto isso, a guerra das constelações de satélites se desdobra rapidamente para a aviação comercial. O objetivo das companhias é prover Wi-Fi rápido e estável durante os voos. Enquanto a Starlink avança fechando parcerias com grandes companhias, como a United Airlines Holdings, a Amazon começa a marcar seu território no setor após firmar recentemente um acordo de conectividade com a Delta Air Lines.

Com a compra da Globalstar, a Amazon envia uma mensagem clara ao mercado de telecomunicações global: a empresa está apostando alto para garantir que a conectividade do futuro não seja um monopólio de seus rivais.

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