Com foco no mercado local, a gigante americana repassa suas sorveterias para um grupo de investidores e consolida uma nova estratégia de negócios no país asiático.
A General Mills anunciou oficialmente um acordo definitivo para a venda da sua operação de gelatarias Häagen-Dazs na China continental. O comprador é um consórcio de investidores que inclui a Ningji, uma empresa chinesa em forte expansão, conhecida no mercado por operar uma das marcas de chá premium de crescimento mais rápido do país, com mais de 3.000 lojas de serviço rápido.
Os Detalhes da Negociação e o Que Muda na Prática
Ao abrigo deste acordo, o grupo de investidores receberá uma licença exclusiva para utilizar a marca Häagen-Dazs nas lojas físicas e no negócio de presentes (gifting) na China continental. No entanto, a multinacional norte-americana não sairá totalmente de cena: a General Mills continuará a deter e a gerir a operação da Häagen-Dazs no retalho (como nos supermercados) e noutros canais de serviços de restauração (foodservice) que não as lojas físicas abrangidas pelo acordo.
Os termos financeiros da transação não foram divulgados. A expectativa é que o negócio fique concluído até ao final do ano civil de 2026, estando ainda sujeito à receção das aprovações regulamentares necessárias e a outras condições habituais do mercado. A transação contou com a assessoria financeira do Citigroup.
O Cenário Acirrado e a Nova Estratégia de Varejo
Este movimento está em total sintonia com a estratégia “Accelerate” (Acelerar) da General Mills, que visa otimizar a sua carteira e reforçar o foco nas marcas e canais que oferecem as oportunidades mais fortes de crescimento rentável. Desde 2018, a empresa já reestruturou cerca de um terço da sua base de vendas líquidas através de aquisições e desinvestimentos.
A Häagen-Dazs, que entrou no mercado chinês em 1996 e se consolidou através de um forte posicionamento premium, tem enfrentado um cenário cada vez mais desafiante. O número de gelatarias da marca no país tem vindo a diminuir — passando de um pico de mais de 550 espaços em 2019 para cerca de 262 lojas em maio de 2026. Esta contração deve-se, em grande parte, à intensa concorrência de novas marcas domésticas e ao recente abrandamento económico que afeta o consumo na região.

A Tendência de Localização e o Perfil da Ningji
A operação ilustra uma tendência cada vez mais evidente no setor do consumo chinês: grandes marcas estrangeiras estão a transferir a gestão direta das suas operações para parceiros locais, num esforço de ganharem agilidade e proximidade com o consumidor. Exemplos recentes desta mesma dinâmica incluem a venda pela Starbucks de 60% do seu negócio chinês à Boyu Capital e a cedência de 83% das operações do Burger King na China à empresa de capital de risco CPE.
A inclusão da Ningji no consórcio comprador é vista como um trunfo estratégico. Com a vasta experiência da marca na rápida expansão de espaços comerciais e na inovação de produtos adaptados ao paladar asiático, a parceria promete injetar um novo dinamismo na gestão das famosas gelatarias da Häagen-Dazs, revitalizando a sua presença no competitivo mercado chinês.


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