A passagem de uma ciclogênese explosiva pelo Brasil deixa um rastro de destruição no Rio Grande do Sul e força governos do Rio de Janeiro e de São Paulo a paralisarem atividades preventivamente.

A formação e o avanço de um ciclone-bomba pela Região Sul do Brasil estão provocando uma série de eventos climáticos severos em vários estados brasileiros. O fenômeno, que começou a se intensificar de forma agressiva na quinta-feira (6), já gerou desde a formação de um tornado e quedas de granizo no Rio Grande do Sul até a suspensão de aulas e a interrupção de atividades não essenciais nas regiões litorâneas de São Paulo e do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (7).

Rastro de Destruição no Rio Grande do Sul

No primeiro dia de atuação do ciclone, um tornado atingiu a região entre os municípios gaúchos de Pedro Osório e Pelotas. Originado de uma supercélula gerada pelo ciclone-bomba, o evento climático causou danos drásticos. Até o momento, o estado contabiliza uma morte — registrada na cidade de Montenegro, após a queda de uma árvore —, cinco pessoas feridas e estragos estruturais em cerca de 118 municípios.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul reportou alagamentos graves e destelhamentos em residências e escolas de cidades como Uruguaiana, Erechim, Caçapava do Sul e Chuí. Apenas em Novo Hamburgo, cerca de 120 casas foram destelhadas. Chuvas de granizo também castigaram regiões como Bom Retiro e Fazenda Vila Nova. Diante desse cenário adverso, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o estado (além de Santa Catarina, sul e oeste do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul) em alerta vermelho de “perigo”, prevendo ventos contínuos que podem superar os 90 km/h até a chegada do final de semana, quando o evento deve atingir seu ápice.

Prevenção e Aulas Suspensas no Sudeste

O impacto do sistema se estende fortemente ao Sudeste devido à impulsão de frentes frias que geram ventanias severas. Nesta sexta-feira, a capital fluminense entrou em Estágio 2 de risco. Em resposta à confirmação de ventos de 74 km/h na Costa Verde e a previsão de rajadas que chegam a 90 km/h, o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro suspenderam as aulas da rede pública, recomendando ativamente a antecipação do fim de expedientes e de atividades que não sejam essenciais. A UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) também paralisou todas as suas atividades presenciais.

No litoral paulista, as prefeituras de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião, Bertioga e Itanhaém determinaram a suspensão das aulas municipais como medida de precaução. A cidade de Santos registrou ventanias assustadoras que chegaram a 109 km/h no início da manhã, derrubando árvores em áreas residenciais, mas felizmente sem deixar vítimas. De forma preventiva, a Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu alertas severos via SMS para 24 regiões paulistas, pedindo que a população evite deslocamentos e busque abrigos seguros.

O Que É o Fenômeno e o Que Esperar

O fenômeno que atinge grande parte do país é tecnicamente classificado pelos meteorologistas como ciclogênese explosiva (ou bombogênese). Ele ganha o famoso apelido de “ciclone-bomba” devido à forma extremamente rápida e explosiva como se origina em áreas onde massas de ar gelado encontram correntes quentes: para receber essa classificação, a pressão atmosférica central do sistema precisa despencar pelo menos 24 milibares em um curtíssimo período de 24 horas.

Com o avanço do ciclone em direção ao oceano, o pós-evento reserva uma drástica mudança de tempo. Uma forte massa de ar polar deve invadir o país pela retaguarda do sistema. A previsão indica que um frio muito intenso se instalará no Sul do Brasil a partir de domingo (9), avançando posteriormente para derrubar as temperaturas nas áreas do Centro-Oeste e do Sudeste na próxima semana. As autoridades reforçam o pedido para que os moradores de áreas afetadas continuem acompanhando os alertas da Defesa Civil.

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