Operação de R$ 33,2 milhões marca a saída total da empresa do mercado saudita; caixa obtido será destinado à compra de medicamentos em meio ao plano de reestruturação.

A Oncoclínicas (ONCO3) concluiu oficialmente a venda de sua participação na Specialized Medical Treatment Company (SMTC), joint venture mantida pela companhia na Arábia Saudita. A transação movimentou US$ 6,55 milhões (equivalente a cerca de R$ 33,2 milhões) e envolveu a transferência total das 45.000.754 ações detidas pela empresa brasileira, representando 27,49% do capital social da entidade estrangeira.

A compradora da fatia foi a Advanced Drug Company for Pharmaceuticals. Segundo o fato relevante divulgado ao mercado, o pagamento integral ocorreu em duas parcelas, quitadas nos dias 10 e 20 de agosto de 2026. Com a conclusão do negócio, a rede brasileira encerra em definitivo suas operações no Oriente Médio.

Foco na compra de medicamentos essenciais

Os recursos financeiros oriundos do desinvestimento já possuem destino definido: o financiamento do capital de giro para a aquisição de medicamentos e insumos oncológicos. A medida está alinhada às prioridades operacionais da companhia para garantir a continuidade das atividades médicas e o atendimento regular aos pacientes em suas unidades no Brasil.

Em comunicado distribuído aos acionistas, a Oncoclínicas classificou a finalização da venda como uma “etapa relevante na implementação do plano de reestruturação de sua situação financeira”.

Processo de recuperação extrajudicial e pressão de caixa

A operação ocorre em um momento delicado para a estrutura de capital da rede de saúde. No mês passado, a Oncoclínicas protocolou o pedido de homologação de seu plano de recuperação extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo, visando reorganizar um passivo financeiro de aproximadamente R$ 5,1 bilhões.

A dívida abrange compromissos com instituições financeiras, fornecedores de insumos hospitalares e pendências relativas a fusões e aquisições (M&A) realizadas nos últimos anos. A urgência na recomposição de estoques de medicamentos decorre do aperto de liquidez observado desde o início do ano, agravado pelo desempenho do segundo trimestre de 2026, quando a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 475,7 milhões — uma elevação expressiva ante a perda observada no mesmo período de 2025.

Reorientação estratégica: do plano internacional à simplificação

Anunciada há cerca de dois anos como a principal vitrine da expansão internacional da Oncoclínicas, a joint venture saudita previa a criação de centros de excelência médica em cidades como Riade, Jeddah e Meca. O projeto inicial projetava faturamentos milionários em longo prazo.

Contudo, diante da necessidade de conservação de caixa, desalavancagem e eliminação de riscos operacionais e cambiais no exterior, a companhia optou por recalibrar sua estratégia. A alienação da fatia permite à administração simplificar a estrutura corporativa, eliminar obrigações de aportes futuros de capital no exterior e concentrar integralmente os esforços operacionais e financeiros no mercado brasileiro.

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