O mercado global de minerais críticos acaba de passar por uma reconfiguração histórica. A mineradora americana USA Rare Earth (Nasdaq: USAR) garantiu o capital necessário e obteve a aprovação de seus acionistas para concluir a aquisição de 100% do Grupo Serra Verde, dono da única operação de terras raras em larga escala no Brasil.
A transação de aproximadamente US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14,5 bilhões) consolida uma nova cadeia de suprimentos de “mina ao ímã” (mine-to-magnet) totalmente fora da Ásia, marcando um ponto de inflexão na geopolítica global e no fornecimento de insumos para tecnologias de transição energética e defesa militar.
Detalhes e Estruturação do Acordo
Anunciada inicialmente em abril de 2026, a aquisição envolve o pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro pela USA Rare Earth, somados à emissão de mais de 126,8 milhões de novas ações da USAR. Após o fechamento do negócio, previsto para ocorrer ainda neste terceiro trimestre, os atuais acionistas da Serra Verde (um consórcio que inclui a Denham Capital, Vision Blue Resources e Orion Resource Partners) deterão aproximadamente 34% da nova companhia combinada.
A aprovação dos acionistas, anunciada no final de agosto, pavimenta o caminho para a união das capacidades de extração da Serra Verde no Brasil com as operações de processamento, separação e fabricação de ímãs e ligas da USA Rare Earth nos Estados Unidos e Europa.

O Forte Apoio do Governo dos Estados Unidos
O que eleva essa transação a um nível de segurança nacional para os Estados Unidos é o pesado envolvimento governamental. O Departamento de Defesa dos EUA e outras agências governamentais capitalizaram um Veículo de Propósito Específico (SPV) com US$ 750 milhões para garantir o acesso a esses minerais críticos.
O acordo incluiu a assinatura de um contrato de compra garantida (offtake agreement) com duração de 15 anos para 100% da produção da Fase 1 da Serra Verde (incluindo Neodímio, Praseodímio, Disprósio e Térbio). De forma inédita no setor, o contrato estabelece “preços mínimos garantidos”, como US$ 110/kg para Neodímio e Praseodímio, e altos patamares de proteção contra quedas de preço (US$ 2.050/kg para o Térbio), mitigando os riscos associados à manipulação de preços do mercado chinês.
Impacto em Goiás e Mudanças na Liderança
A mina de Pela Ema, localizada em Minaçu (Goiás), é a joia da coroa. Com investimentos anteriores que ultrapassam US$ 1,1 bilhão, a Serra Verde transformou o norte goiano no maior polo de minerais estratégicos fora da Ásia. O projeto tem a capacidade de fornecer elementos-chave exigidos pela indústria de veículos elétricos (VEs), turbinas eólicas e sistemas de defesa.
“A Serra Verde está sendo pioneira em uma nova indústria para o Brasil, e agora temos a certeza para continuar investindo e desenvolvendo nossa operação em todos os ciclos, garantindo empregos, futuros pagamentos de impostos e desenvolvimento econômico para Minaçu, Goiás e para o Brasil.”
— Ricardo Grossi, Presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração
Para assegurar a continuidade do projeto local, Ricardo Grossi continuará liderando as operações no Brasil. No âmbito global, o atual CEO do Grupo Serra Verde, Thras Moraitis, assumirá o cargo de Presidente da nova empresa combinada, enquanto o Chairman da mineradora brasileira, Sir Mick Davis, ganhará um assento no conselho administrativo da USA Rare Earth.
Quebrando o Monopólio Chinês
Atualmente, a China controla mais de 90% do refino global de terras raras e cerca de 60% da mineração. Os minerais produzidos em Goiás representam os blocos de construção para ímãs permanentes de alta eficiência (NdFeB). Com a concretização deste negócio, a aliança Brasil-EUA assegurará controle sobre um percentual significativo do fornecimento global de terras raras críticas, criando o primeiro fluxo de produção totalmente independente da influência asiática.
Estima-se que a operação em Goiás possua capacidade para sustentar o crescimento até alcançar a marca de 6.400 toneladas de Óxidos Totais de Terras Raras (TREO) ao final de 2027, alçando o Brasil à posição de protagonista inegável na transição energética global e na reestruturação geopolítica da nova economia.


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