Transação com consórcio liderado pela suíça Mercuria inclui refinaria e postos da marca Shell, focando no alívio financeiro e na gestão da estrutura de capital da companhia brasileira.
A Raízen S.A. anunciou nesta terça-feira (1º de setembro) a conclusão oficial do desinvestimento de suas operações na Argentina. O negócio, avaliado em US$ 1,42 bilhão (aproximadamente R$ 7,2 bilhões), transfere os ativos de downstreamda joint venture brasileira para um consórcio liderado pelo grupo suíço Mercuria Energy, em parceria com a empresa argentina Integra Capital.
O que está no pacote da venda?
A transação engloba os ativos estruturais que garantiam a forte atuação da Raízen no país vizinho. Os principais bens transferidos são a emblemática refinaria de Dock Sud, localizada na região de Avellaneda (província de Buenos Aires), e toda a extensa rede de postos de combustíveis que opera sob a bandeira Shell na Argentina.
Para os compradores — que contam com a liderança dos empresários argentinos José Luis Manzano e Daniel Vila —, a aquisição representa um salto na cadeia energética do país. Como o grupo já atua na exploração de petróleo por meio da Phoenix Global Resources, a compra da refinaria e dos postos permite a verticalização completa do negócio: desde a extração do óleo até o refino e a distribuição final nas bombas.
Estratégia e reestruturação financeira
A saída da Argentina é uma movimentação decisiva para a saúde financeira da Raízen. A companhia brasileira vem atravessando um cenário de alta pressão, lidando com um processo de recuperação extrajudicial e uma dívida bruta acumulada que orbita a casa dos R$ 65 bilhões, reflexo de altos investimentos recentes no setor de biocombustíveis.
Em seus comunicados ao mercado, a Raízen deixou claro que os recursos líquidos provenientes desse US$ 1,42 bilhão serão integralmente destinados à gestão de sua estrutura de capital. A injeção de liquidez ajudará a abater passivos e reduzir a alavancagem da empresa. Além do montante bilionário pago, os novos controladores assumirão as dívidas atreladas à operação local no país.
O desfecho do processo
O acordo havia sido inicialmente costurado e anunciado ao mercado no início de junho de 2026. Nos últimos meses, a efetivação da venda dependia da superação de condições precedentes rígidas, o que incluía aprovações de órgãos de defesa da concorrência (como o Cade) e o aval judicial atrelado à reestruturação da companhia.
Com o sinal verde final e a conclusão anunciada hoje, a Raízen encerra um importante ciclo internacional, passando a concentrar seus esforços operacionais na recuperação de margens no Brasil e na estabilização de seu portfólio principal.


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