Acordo prevê a inclusão de 27 mil produtos da Magazine Luiza na plataforma do Mercado Livre, impulsionando a capilaridade de ambas as marcas e animando o mercado financeiro.
O mercado varejista brasileiro acordou agitado na última quarta-feira (2). Duas das maiores gigantes do e-commerce, Magazine Luiza (MGLU3) e Mercado Livre (MELI34), anunciaram uma parceria comercial inédita que promete movimentar o setor e alterar a dinâmica da concorrência no país.
O acordo estabelece que o Magazine Luiza passará a vender parte do seu portfólio diretamente dentro do marketplace do Mercado Livre. A novidade foi muito bem recebida pelos investidores: as ações da Magalu (MGLU3) dispararam 16,88% no fechamento do pregão daquele dia, cotadas a R$ 5,40.
27 mil produtos na vitrine amarela
A operação conjunta terá início já neste mês de setembro. Segundo o anúncio oficial, a Magalu irá disponibilizar cerca de 27 mil itens (SKUs) do seu próprio estoque (operação 1P) na plataforma do Mercado Livre. O foco inicial estará em produtos das marcas KaBuM! e Época Cosméticos, empresas que pertencem ao ecossistema do Magazine Luiza. A expectativa é que a Netshoes seja integrada à parceria num segundo momento.
A estratégia não é inédita para o Mercado Livre, que já mantém uma parceria similar com a Casas Bahia (BHIA3). Para a Magalu, o movimento assemelha-se ao acordo recém-fechado com a Amazon em junho deste ano.
O principal benefício para o Magazine Luiza é o acesso a uma imensa base de novos consumidores. A diretoria da varejista brasileira estima que aproximadamente 75% das pessoas que compram no Mercado Livre representarão novos clientes para a Magalu. Com essa projeção, a empresa acredita que os riscos de “canibalização” — quando a venda em um canal rouba clientes do canal próprio — serão limitados, ao menos no curto prazo.
Linha branca ganha força no Mercado Livre
Se o Magazine Luiza ganha capilaridade e um novo canal de vendas potencialmente mais rentável que a publicidade online tradicional, o Mercado Livre também colhe frutos importantes.
Segundo analistas da corretora XP Investimentos, a chegada da Magalu resolve um dos principais gargalos logísticos e de portfólio da gigante argentina no Brasil: a oferta de produtos de grande porte. A parceria irá reforçar substancialmente o catálogo do Mercado Livre com itens da chamada “linha branca” (geladeiras, fogões, máquinas de lavar) e móveis, categorias nas quais a empresa ainda possuía uma penetração considerada baixa.
Além disso, a XP destacou que as mais de 1.200 lojas físicas do Magazine Luiza espalhadas pelo país poderão ser utilizadas pelo Mercado Livre como pontos estratégicos de coleta e devolução de mercadorias. A Magalog, braço logístico da varejista brasileira, também poderá atuar no suporte das entregas desses produtos volumosos.
Impactos no mercado: Visão dos analistas
Apesar do otimismo refletido na bolsa, o mercado analisa a parceria com cautela. A Ativa Investimentos classificou o acordo como positivo, ressaltando os ganhos mútuos em capilaridade e acesso a novos produtos. A XP Investimentos corrobora a visão positiva, especialmente para o quarto trimestre de 2026, período que deve concentrar o aumento nas vendas de produtos de primeira linha.
No entanto, a XP também pontua que o acordo é mais estratégico do que revolucionário para o Mercado Livre. Os analistas observaram que as vendas diretas (GMV) da Magalu e da Casas Bahia somadas ainda representam uma fatia pequena frente ao volume total movimentado pelo Mercado Livre no país. Portanto, a parceria funciona mais como uma defesa do mercado em categorias específicas — evitando a necessidade de construir uma cara infraestrutura logística própria para produtos pesados — do que como um motor para um crescimento explosivo.
Paralelamente ao acordo, a Magalu também anunciou novidades em seu próprio aplicativo, lançando a aba “Magalu Delivery”. A nova seção integra a plataforma Aiqfome (adquirida em 2020), permitindo aos usuários pedir comida, compras de supermercado e itens de farmácia diretamente pelo app da varejista, reforçando sua estratégia de atuar no segmento de entregas rápidas (quick-commerce).


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