A montadora chinesa BYD atingiu um marco decisivo em sua estratégia de consolidação na América Latina ao acelerar o processo de nacionalização da fabricação de seus veículos no polo industrial de Camaçari, na Bahia. Passados 16 meses do início das intervenções no complexo que pertenceu à Ford, a empresa confirmou a instalação de 17 fornecedores locais parceiros e apresentou a estruturação completa das suas unidades de estamparia, soldagem e pintura de peças.

O investimento acumulado pela gigante dos veículos elétricos e híbridos na região já ultrapassa a marca de R$ 11 bilhões. A iniciativa visa abandonar gradualmente o modelo de montagem por kits desconstruídos (CKD e SKD) e estabelecer uma cadeia produtiva com elevado índice de componentes fabricados no Brasil.

Índice de conteúdo local e abertura de novos mercados regionais

A meta estabelecida pela BYD é superar o patamar de 50% de nacionalização de peças e componentes em sua produção. Ao atingir o índice mínimo regulatório exigido pelas regras de comércio exterior, a fábrica baiana fica credenciada a exportar veículos com alíquota preferencial para outros países do bloco do Mercosul e da América Latina.

A unidade brasileira já conta com encomendas firmadas para o fornecimento de 100 mil veículos destinados ao mercado externo, divididos em lotes de 50 mil unidades para a Argentina e 50 mil para o México, com previsão de início das remessas para atendimento desses contratos a partir do próximo ciclo de entregas.

Geração de empregos e expansão da capacidade produtiva

A consolidação do polo fabril de Camaçari tem gerado impactos diretos no mercado de trabalho nordestino. A planta conta atualmente com cerca de 9 mil trabalhadores diretos, com estimativa de encerrar o ano com 10 mil colaboradores em atuação. As metas de longo prazo da montadora projetam alcançar 20 mil empregos diretos até 2030, priorizando a contratação de mão de obra local.

A capacidade instalada inicial da fábrica está dimensionada em 150 mil veículos por ano, estruturada para os modelos Dolphin Mini, o sedã King e o SUV híbrido Song Pro. O plano de expansão prevê dobrar essa capacidade para 300 mil unidades anuais na primeira fase de ampliação, podendo atingir até 600 mil veículos fabricados por ano até o final da década.

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