O CLAI Fund torna-se sócio do Pátria Investimentos na construção da infraestrutura que atenderá a ByteDance; operação marca a união de capital chinês na oferta e na demanda de processamento de dados.
O fundo estatal China-LAC Industrial Cooperation Investment Fund (CLAI Fund) selou um acordo para adquirir participação no desenvolvimento do ambicioso data center do TikTok no Brasil. O fundo passa a integrar a Omnia DC Holding I, veículo do Pátria Investimentos responsável pelo empreendimento que atenderá exclusivamente a ByteDance. A estimativa é de que o projeto receba aportes de aproximadamente R$ 200 bilhões ao longo da próxima década.
Embora o percentual exato da fatia adquirida e os valores nominais da transação não tenham sido revelados, a movimentação consolida o Brasil como um hub estratégico para a infraestrutura tecnológica da gigante asiática.
Alinhamento de capital: China nas duas pontas da mesa
A entrada do CLAI Fund altera a dinâmica societária do projeto, criando um ecossistema onde o capital chinês domina ambos os lados do balanço. Na ponta da demanda, está a ByteDance (dona do TikTok), que atuará como locatária exclusiva de toda a capacidade de processamento. Na ponta da oferta, o fundo estatal agora divide o risco e o investimento na construção e operação da infraestrutura.
O Pátria Investimentos, contudo, permanece como o controlador da Omnia — operadora especializada em data centers — por meio de seus fundos de infraestrutura (Infra V Master e Infra V Master Brasil).
Escala monumental e foco em energia limpa
O complexo, cujas obras foram iniciadas em janeiro, tem previsão para iniciar sua primeira fase de operação em julho de 2027. Os números do projeto impressionam o setor:
- Investimento total: R$ 200 bilhões em 10 anos.
- Capacidade de TI: 200 megawatts (MW).
- Potência total: 300 MW (equivalente ao consumo de uma cidade de 500 mil habitantes).
- Área física: 70 hectares.
Para mitigar o impacto ambiental e atender a metas de sustentabilidade, 100% da energia consumida será proveniente de fontes renováveis. O fornecimento será garantido por geração eólica da Casa dos Ventos, empresa que também teve participação ativa na estruturação inicial do negócio.
A ofensiva do CLAI Fund no mercado brasileiro
Esta aquisição marca a estreia do CLAI Fund no segmento de data centers em solo brasileiro. Criado em 2016 com um aporte inicial de US$ 5 bilhões focado na América Latina, o fundo atua como o braço financeiro preferencial para grupos chineses na região.
Não é a primeira vez que o fundo estatal se une ao Pátria. No início deste ano, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já havia aprovado a entrada do CLAI na termelétrica Marlim Azul, em Macaé (RJ). Agora, a nova operação no setor de infraestrutura digital aguarda o mesmo rito de aprovação do órgão regulador para ser formalizada.


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